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Um barco em alto-mar, uma tempestade o devastou. O tempo passou e o barco permaneceu no mesmo local do naufrágio. E vejam só, o óbvio aconteceu: outra tempestade, seguida de várias outras que variavam apenas de intensidade. Ao sair do sol pôde-se ver o tamanho do estrago. Nada mais servia, não pudia ser usado nem desfrutado. Não havia nada de bom nele. Submerso, assim permaneceu por tempos seguido de tempos. Não faria diferença outra tempestade, não havia mais nada pra destruir ali. Mesmo assim, aconteceu, outra tempestade. Essa trouxe consigo insondáveis ondas que o único efeito que surtiu foi mover o barco de lugar. E olha só! Ele atracou à um pedaço de terra que era quase impossível haver por ali. Ela o prendeu, não deixou mais fugir.
Desastre.
Aquela sensação de amar e ser amado invadiu seu ser, e ele pôde sentir o gosto da adrenalina no fundo da garganta — e quem sabe não acabou, e quem sabe ele iria poder sentir o toque da mão dela de novo, e ouvir aquela voz alta e aguda se transformando num sussurro na hora de dizer eu-te-amo do jeito rapidinho e baixinho como sempre fizera. Ela falava eu te amo como se fosse um segredo; e um dos grandes.
O Teorema Katherine 
Foi insuportável. A coisa toda. Cada segundo pior que o anterior. Eu só ficava pensando em ligar para ele, tentando imaginar o que aconteceria, se alguém atenderia o celular. Nas últimas semanas, nós nos limitamos a passar o nosso tempo juntos relembrando o passado, mas isso não significava mais nada: o prazer de lembrar tinha sido tirado de mim, porque não havia mais ninguém com quem compartilhar as lembranças.
A Culpa é das Estrelas.
Cravo as minhas unhas do lado de dentro da caixa, os pulmões já não encontram ar. Eu tropecei e cai dentro dela, foi um descuido, talvez falta de amor-próprio, uma desatenção. Fico repetindo pra mim mesmo porque não dei ouvidos aos meus instintos. Sou um pouco assim, meio mistica quando se trata da entrega, da coragem que é preciso para amar. Eu rodava por uma highway desconhecida e me embriagava com a trilha sonora do pink floyd. Esticava o braço pra fora da janela com vontade de voar. Maldita pretensão. Seguia sem saber que o amor que me movia era o mesmo que te prendia ao chão. Nunca se sabe o que vem após à próxima curva. Você me tragou em pequenas doses e se esqueceu da sua vaidade poética, da possibilidade de explosão. Eu sempre gostei do acaso, do hipotético. O que seríamos de nós sem o imaginário? Eu sei que somos feitos da mesma matéria estragada e assim como a sua fumaça, dissipei, surtei cavando meu intimo indigesto. E agora estou aqui. Morta pra mim. Morta pra ti. Estranhamente sinto algum conforto dentro dessa caixa de papelão. Talvez seja por ver pelas frestas os teus olhos ainda em mim.
Elisa Bartlett.  
Eu gostaria de ter coragem de dizer tudo o que cala. Essas palavras que grudam no céu da boca, que sorrateiramente vão até a ponta da língua, dançam seu balé e pulam garganta adentro para lá morar. Sufocar.
Docismo (via assoprador)
Eu gostaria de ter coragem de dizer tudo o que cala. Essas palavras que grudam no céu da boca, que sorrateiramente vão até a ponta da língua, dançam seu balé e pulam garganta adentro para lá morar. Sufocar.
Docismo 
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